(oh my love, my darling…)
Não há nenhum raio de sol que seja tão iluminado quanto seu andar. Não há nenhuma energia que reluza tanto quanto seu olhar. Não há nenhum movimento tão estonteante quanto o de seus lábios quando sorri.
Não há nenhum vestígio de melancolia. Não há nenhum dizer com o que devemos fazer. Não há nenhuma liberdade de sentimentos. Não há nenhuma ventania que me congele tanto quanto seu toque. Não há nenhuma cumplicidade que me transforme tanto quanto a nossa.
Não há nenhuma sinfonia que seja tão impecável quanto o de nossa melodia. Não há nenhum som que emita tudo que sinto ao encarar seus olhos famintos e saudosos. Não há nenhuma distância que não me leve suficientemente perto de você outra vez. Não há nenhuma carícia que não seja feita.
Não há, não mais, nenhum motivo para chorar.
(oh my love, my darling…)
Não há nenhum raio de sol que seja tão iluminado quanto seu andar. Não há nenhuma energia que reluza tanto quanto seu olhar. Não há nenhum movimento tão estonteante quanto o de seus lábios quando sorri.
Não há nenhum vestígio de melancolia. Não há nenhum dizer com o que devemos fazer. Não há nenhuma liberdade de sentimentos. Não há nenhuma ventania que me congele tanto quanto seu toque. Não há nenhuma cumplicidade que me transforme tanto quanto a nossa.
Não há nenhuma sinfonia que seja tão impecável quanto o de nossa melodia. Não há nenhum som que emita tudo que sinto ao encarar seus olhos famintos e saudosos. Não há nenhuma distância que não me leve suficientemente perto de você outra vez. Não há nenhuma carícia que não seja feita.
Não há, não mais, nenhum motivo para chorar.
Pudesse eu contar as vezes em que pensei em como definir o que é amor. O que é amar, ser amada. Ser desalmada, desarmada. Pecaminada, ser perdida.
Pudesse eu falar de amor. Narrar, de forma simples ou indireta, a história que tantas palavras separadas não poderiam explicar nem mesmo juntas. Anexadas. Enlaçadas.
Pudesse eu explicar como é o amor. Ele não é justo, tampouco perfeito. O amor não possui sentenças, nem profere comunicados. É cheio de riscos e fogo cruzado.
Em nosso amor, as palavras não se gastam, os braços não se cruzam e os gestos são para nosso demonstrar. Amar também é lutar. É nossa doce ilusão, nosso mais longo sonho, um absurdo em brigas e uma eterna fantasia.
Nosso amor não é interpretado: Não se entende, não se discerne muito menos se traduz. Não sabemos por que, não sabemos o que, não percebemos bem como: Só sabemos – ou não – o que é amor.
(por que (é tão difícil) não falar de amor?)
frequentemente me pego nesta inconstância constante ;
que constantemente,
busca a excelência,
assim, tão distante.
Então era a hora de partir. Ir, voltar. Começar, recomeçar, finalizar. Como simples verbos possuem a capacidade de se transformarem em atitudes questionáveis, ou dignas de aplausos. Deixou que a porta batesse logo atrás, e não virou o rosto. Não encarou quem estava por trás do vidro e da cortina da janela, bem como não encarou a realidade. Sabia que seria a última vez que avistaria aquele lugar, aquela pessoa, e, principalmente, que teria os últimos sentimentos que a tornavam uma pessoa melhor.
Despediu-se de sua vida. Deu adeus ao amor, porque para ela, o medo de amar era maior que a dor que poderia sentir caso o amor não fosse correspondido. Mas, pelo menos, ao amar, ela sentia. Não era uma mera carcaça que tentava permanecer forte enquanto tudo ao seu redor desmoronava e ela sentia não ter ninguém por perto, como era o que aparentava estar acontecendo.
Abaixou a cabeça e sussurrou algumas palavras, como uma prece muda. Fechou os olhos, para permitir que algumas lágrimas escorressem por seu rosto pálido e que indicava que a beleza residia ali até pouco tempo, e logo os abriu, para enxergar a longa estrada à sua frente. O asfalto era extenso e quente. Tinha muito a caminhar e pouco tempo.
Como é pequena a alma humana. Prefere lamentar-se dos tratos que recebe e morder a mão que alimenta ao invés de trocar papéis. Deixar-se morder ocasionalmente, ou ainda, tratar de uma forma diferenciada e encarar os fatos com outros olhos. Com os dos sonhos. Não da realidade. O desprezo é amante do silêncio. Ele prospera na escuridão, e, querendo ou não, era o que ela enxergava. O lado negro. A solidão. A indiferença. Fez escolhas e não poderia se arrepender agora.
Horas de caminhada fizeram-na parar em um hotel barato. Jogou a mochila em um canto de um quarto medíocre, e tomou um banho gelado no minúsculo banheiro. Jogou-se na cama, sentindo dor nas costas, e ficou deitada por longas horas ali, trajada com um vestido preto e o cabelo perfeitamente alinhado a seus ombros. De olhos fechados, refletia. Uma flor que morre lentamente, com o doce da vida tornando-se intocável para ela. Dependente da escuridão, da fraqueza, da tristeza e do comodismo, por acreditar que a situação era irreversível, ela desistiu. Seu último suspiro, melancólico e aliviado, mostrou que suas súplicas foram atendidas. Nenhuma dor. Despediu. Renunciou. Desistiu. Acabou.
Do outro lado do vidro, alguém passava madrugada adentro a observar o movimento da rua. Nenhuma luz indicava o retorno dela. Nenhum vestígio pelo caminho traçado. Quando parou de verificar, uma carta chegou. O papel amarelo e antigo continha manchas – provavelmente, de lágrimas deixadas e mudas naquele momento – e uma revelação: Agonizava a todo instante, sem morrer em um só golpe. A vida se transformou em morte. Ninguém sabia, somente ela. E isso bastava. Buscou carregar o sofrimento destes ‘ninguém’ nas costas por suportar bem e saber como é a dor. Já havia experimentado de tantas maneiras… Realidade. Sonho. Desistiu. Acabou.
Enquanto você descansa calmamente, esquecendo-se do que deveria ter feito, eu aqui permaneço: Maquiagem borrada, salto alto, melhor roupa para a noite e um horrível desconforto. Uma sensação de aperto me incomoda. Me desola. Me clama.
Enquanto você repousa tranquilamente a cabeça no travesseiro, eu aqui permaneço: Ansiando por notícias, preocupada, irritada. Cansada. Uma sensação de desespero me incomoda. Me choca. Me chama.
Enquanto você acorda, achando que está tudo bem e nada fez, insone e exausta, eu aqui permaneço: Olheiras profundas, corpo cansado, mente pesada. Uma sensação de insensatez me provoca. Me grita.
(finalmente)Me liberta.
Dos primórdios obscuros
Chega até nós o anseio da vida
Impulso desordenado, ébria exuberância
Sangrento aroma de extrema petulância.
São espasmos de gozo, ambições sem termo
Mãos de assassinos, santos, enfermos
O enxame humano fustigado pela angústia e o prazer
Devora a si mesmo, de dentro para fora de seu ser.
Manobra a guerra e faz surgir puras artes
Adorna de ilusões a casa do pecado
Não chega a ti até que a descartes
Arrasta-se com sacrifício para onde havia sido amado.
Mai Perske ;~
Ao todo, eram dez conjuntos semelhantes de algo que ela um dia almejara. Sentada fronte a eles, dedilhava-os, e nada sentia - uma grande surpresa -. O quarto era iluminado pelo luar, que refletia nos olhos e pés de alguém que muito andara e pouco sabia sobre a própria estrada.
Os dedos, correndo pela penteadeira, pararam em sua beirada no instante que seu olhar inexpressivo fitou a porta. Lá estava ele: Mala na mão direita, chapéu na outra, sorriso nos lábios e olhar de quem muita saudade havia sentido.
Pronto para abraçá-la, foi recebido com distante repúdia e sua última visão foi das joias caídas no solo e ela caminhando até a porta. Costas. Deixado. Trás. Passado. Presente.
… Não há futuro ;
Quem abandona, que aceite o abandono. Quem é abandono, que abandone.

